Aí está a nossa «ladaínha»!

2012-07-02
Está breve a fazer um ano - 13 de Julho de 2011 - que por intermédio do nosso site, pedíamos a todos os nossos conterrâneos a ajuda possível de modo a poder ser recuperada a célebre “ladainha”, que de alto a baixo da freguesia, “baptizava” todos os lugares de Nespereira.

Poucas dicas nos deram e as que obtivemos, estavam incompletas, logo sem a credibilidade necessária para as tornar do domínio público.

Porque mais recentemente, já de posse do livro “Recordar Nespereira”, da autoria do nespereirense Henrique Teixeira, atentamos numa versão alusiva e do mesmo modo, até nós chegou uma outra - ficamos gratos ao conterrâneo, Manuel Amaral (Pindelo) - a qual dava conta “que existira um padre em Ervilhais, chamado Manuel, nascido por volta de 1830, sendo certo que ao tempo já avivava a bem conhecida lenga-lenga”, divulgamos agora “A Nossa Ladaínha”, fincados nos dados que nos foram fornecidos, ainda que sem a pretensão de a rotular como sendo a autêntica:

Espantalhitos de Ervilhais
Bufagatos no Castelo
Pedreiros do Valado
Paneleiros no Gavinho
Ferreiros (ou ferra burros) do Casaínho
Vira-ventos da Portela
Quebra costas na Calçada
Padeiros da Feira-Franca
Quartilheiros da Feira
Fidalgaria da Granja
Bizarria do Casal
Carqueigeiros do Maninho
Caceteiros (ou Marranicas) de Vila Chã
Corticeiros de Carvalhais
Azeiteiros em Aziboso
Cabaceiros na Ardena
Lava rabos em Pereira
Outeiro – tudo é moleiro
Cachaceiros (ou Bufa gaitas) de Lourosa
Cabriteiros (ou leiteiros) de Paradela


e segundo apuramos, uma delas terminava assim:

... e depois de tudo junto,
broa, “vinhaça” e presunto!



Abertos a eventuais rectificações, deixamos aqui o nosso contributo para que se não caia no esquecimento esta preciosidade, este legado que queremos seja compartilhado pelas gerações vindouras.

Cientes de que um ou outro lugar foi "carimbado" de forma popular, embora, mas duma maneira pouco simpática, deixamos aqui, em jeito de aditamento, o nosso ponto de vista, a bem dizer as razões porque assim terá acontecido. Assim, como os habitantes da Feira ficaram conhecidos por "quartilheiros", uma vez que, para arrelia das mulheres, de lá não arredavam pé os homens em tempo de folga - nas diferentes casas abriam portas as tascas onde reinava o "americanol" - e os da Feira Franca ficaram como sendo todos padeiros porque ali reinava a maior padaria das redondezas.

Aos de Aziboso tocou a "sorte" de azeiteiros, porque ali se apanhava azeitona até mais não. Até de Vilar vinham famílias inteiras, prontas a estender as mantas onde as aparavam. No Gavinho (paneleiros) foi resultante da fixação dum homem provindo duma família que se entregava ao fabrico de panelas. Bizarria do Casal, porque ali moravam uns quantos nem por isso "bons de assoar".

Carqueijeiros do Maninho, ficou devido ao empenho que algumas mulheres do lugar tinham em fazer chegar às doceiras os molhos de carqueijas com que estas atiçavam os fornos. Lava rabos de Pereira, porque a cada passo se via gente a demolhar os ditos aquando da época mais acalorada.

Os de Ervilhais eram espantalhitos, já que ao tempo, os seus moradores, bem ao contrário do que se passa na actualidade, ficavam admirados por tudo e nada. Disso era exemplo a "história" repetida volta e meia: ao ver uma camioneta com o rádio a tocar, "diziam": uma casa a andar e um fonforrione a tocar! Tudo mudou e ainda bem!

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