Desabafos do «Pelourinho»

2012-02-29
Desabafos do «Pelourinho»
Nem por isso habituado em dar conta do que tenho observado, entendo ter chegado a hora de saudar quantos me têm respeitado, ainda que uma vez ou outra, alguns dos nossos conterrâneos deixem de se portar como seria de desejar. Em jeito de exemplo, ainda há dias, aquando do desfile de carnaval que a Casa do Povo levou a efeito, três ou quatro tiveram o desplante de se “plantarem” à minha frente, razão porque nem sequer me apercebi do parto que ocorreu em pleno coreto. Todos se riram a bom rir e eu nada disse, porque de facto não vi nada.

Mas já estou habituado!

Vezes sem conta, nem sequer posso prestar a devida atenção às cerimónias (missas e funerais) que decorrem na capela da Feira, já que se não são uns são outros, vêm para a minha beira discutir “coisas do arco da velha”: se é nesta lua ou na seguinte que a chuva vai fazer a sua aparição; se os “garfos” destinados aos enxertos devem ou não ser metidos na areia ou na terra, enfim, por uma coisa de nada, falam até dizer chega.

O pior é que muitas vezes falam alto que eu sei lá. A tal ponto que ainda há pouco tempo fiquei deveras envergonhado quando o pároco cá da terra teve de interromper uma cerimónia que decorria na capela. Continuou quando se calaram, sobrando para mim o resmungar de uns quantos, desagradados por aquela chamada de atenção. Mas é assim a vida. Bem ao jeito de dar lustro ao estafado provérbio “quem cala, consente”, raramente desfruto do sossego que tanto aprecio – obras por todo o lado – ainda que, valha a verdade, todos me têm respeitado.

Sou do tempo em que às duas por três, alguns já “alegrados” pelo pingato pouco se importavam em respeitar quem como eu está quietinho, fazendo dançar no ar as bengalas e os paus de junco, logo com que a luz da farmácia permanecesse acesa até às tantas para a prestação dos necessários curativos.
Ainda “bem” que o “progresso” fechou as portas donde provinha tamanha alegria - lojas do Lima, do Pinto e da Ti Lurdes, por exemplo – mas como diz o povo “se não é de carro é de arado”, volta e meia é o bom e o bonito.

Nada dado a certas modernices – cada qual gosta do que gosta… - tenho sempre debaixo de olho o meu parceiro de todos os dias. E ainda que não lhe perdoe a vaidade que tem quando volta e meia o alindam para lá dar meia dúzia de gaitadas, é com ele que tenho de partilhar a nossa sala de visitas.

Falam para aí em crise e só na crise. Estão mal habituados. Se fizessem como eu, nunca quis saber de lambarices e destas petisqueiras de agora, razão porque estou pronto para o que der e vier.

Avesso a reivindicações mas firme na melhoria da imagem que Nespereira deve mostrar a quem nos visita, deixo aqui a saudações de,

O Pelourinho

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